A produção europeia de vidro de embalagem recuou cerca de 10% entre 2022 e 2024, atingindo níveis próximos dos registados durante a crise financeira de 2008–2009. O alerta foi deixado pela FEVE, que aponta os elevados custos da energia e o agravamento dos encargos com o carbono como principais fatores de pressão sobre a competitividade industrial.
Segundo a federação europeia, que representa mais de 140 fábricas em 21 Estados-Membros, o setor enfrenta um contexto económico adverso que já levou ao encerramento de fornos e unidades produtivas em vários países. Em Portugal, estão representadas empresas como a BA Glass, a Vidrala e a Verallia, através da AIVE.
A indústria do vidro de embalagem desempenha um papel estratégico nas cadeias de valor europeias, fornecendo embalagens para setores como o vinho, bebidas espirituosas, alimentação premium, cosmética e farmacêutico. No conjunto, estas atividades representam mais de 140 mil milhões de euros em exportações anuais da União Europeia — cerca de 6% do total.
Para países como Portugal, exportador relevante de vinho, azeite e conservas, uma eventual redução estrutural da capacidade produtiva poderá traduzir-se em maior pressão sobre custos e perda de competitividade internacional.
“A indústria do vidro de embalagem é um pilar essencial das cadeias exportadoras portuguesas e europeias. Num contexto de custos energéticos elevados e crescente pressão regulatória, é fundamental assegurar condições que permitam às empresas continuar a investir, inovar e criar emprego”, afirma Tiago Moreira da Silva, presidente da AIVE.
Entre os principais constrangimentos apontados pelo setor estão os preços da energia na Europa, que permanecem acima dos registados em regiões concorrentes, e o impacto do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da União Europeia (EU ETS).
Com a atualização dos referenciais de emissões prevista para 2026, algumas empresas poderão enfrentar um aumento significativo dos custos associados ao CO₂ já no próximo ano. A FEVE alerta que choques desta natureza podem comprometer investimentos em modernização tecnológica e descarbonização.
O setor defende a adoção de medidas para reforçar a competitividade industrial, incluindo a redução dos custos energéticos e de carbono, ajustamentos nas políticas de economia circular para evitar sobre-regulação e o reforço dos mecanismos de defesa comercial contra práticas desleais e risco de fuga de carbono.
A federação considera ainda essenciais incentivos de mercado que estimulem a procura por produtos seguros e fabricados na Europa.
A indústria europeia do vidro de embalagem emprega diretamente cerca de 50 mil trabalhadores e sustenta mais de 850 mil empregos ao longo da cadeia de valor alargada. No total, a produção de embalagens de vidro e as indústrias que utilizam este material geram um volume de negócios superior a 300 mil milhões de euros, equivalente a cerca de 1% da produção industrial da União Europeia.
Para a FEVE, a manutenção de uma base industrial sólida na Europa será determinante para proteger o emprego, garantir a competitividade das exportações e assegurar a continuidade do investimento em inovação e descarbonização.







































