Setor energético “nunca devia ter saído das mãos do Estado”, diz Alberto João Jardim

Setor energético “nunca devia ter saído das mãos do Estado”, diz Alberto João Jardim

Categoria Ambiente, Energia

O antigo e histórico presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, mostrou-se este sábado, dia 12, contra a privatização do setor energético, frisando que “nunca devia ter saído das mãos do Estado”, cita a “Lusa”.

Convidado pelos jornalistas, em Beja, a comentar a Oferta Pública de Aquisição (OPA) voluntária lançada na sexta-feira pela China Three Gorges sobre o capital da EDP, o social-democrata Alberto João Jardim disse: “Não digo nada, porque sou contra a privatização do setor energético”. “Acho que o setor energético nunca devia ter saído das mãos do Estado”, afirmou, à margem da cerimónia comemorativa dos 44 anos do PSD, hoje, em Beja, na qual foi homenageado pelo partido.

Questionado sobre se a EDP ir parar a mãos de acionistas chineses pode ser um risco para Portugal, Alberto João Jardim respondeu: “Tanto me faz”. “Quando o Estado funciona, podem vir chineses, afegãos, ucranianos… O Estado funciona, não há problema. Agora, o que está errado é o setor energético na mão de particulares”, disse.

Questionado como tem visto a vida política nacional, o antigo governante da Madeira disse que Portugal “não está no bom caminho” e “parece que está a ficar, finalmente, emburguesado, aceita tudo e mais alguma coisa, até o aumento da gasolina todas as semanas”. “Isto é tudo um disparate”, frisou, referindo ser “suspeito” para falar, porque “sempre” foi “opositor do sistema político da Constituição de 1976”, o que lhe deu “o gozo de ganhar eleições” naquele sistema.

Portugal está “a crescer muito pouco” e “todos os anos a aumentar a carga fiscal”, disse, referindo que “principalmente a classe média está a pagar bastantes” impostos. Por outro lado, anualmente, o Produto Interno Produto “cresce metade do que sobe a carga fiscal”, frisou, sublinhando: “Há aqui qualquer disparidade, dá a impressão de que o dinheiro é para assistencialismo e não para investimento”.
Segundo Alberto João Jardim, se Portugal “continua a crescer muito menos do que a Europa, daqui a 10 ou 25 anos está outra vez mais atrasado”.

“É preciso fazer mais um esforço de investimento público e não criar empregos artificiais, através de umas formações e da precariedade”, defendeu. A precariedade, alertou, “é uma coisa que temos de combater e que serve muitas vezes para camuflar o desemprego real”.

*Foto de Reuters