Strategy CCUS vai estudar a captura e utilização de CO2 na Bacia Lusitaniana em Portugal

Strategy CCUS vai estudar a captura e utilização de CO2 na Bacia Lusitaniana em Portugal

O projeto europeu STRATEGY CCUS, do qual faz parte a CIMPOR, acaba de selecionar a Bacia Lusitaniana, em Portugal, para realizar estudos aprofundados sobre tecnologias de mitigação das alterações climáticas conhecidas como CCUS – CO2 Capture, Utilisation and Storage (captura, utilização e armazenamento de CO2).

Em comunciado, Luís Fernandes, CEO da CIMPOR Portugal e Cabo Verde, refere“a neutralidade carbónica é um objetivo comum, e acreditamos que vamos atingir essa meta, mas para isso é necessário que governo, cidadãos e empresas se unam para encontrar as melhores soluções. É com esse propósito que fazemos parte do STRATEGY CCUS, e que ajudámos a selecionar as três regiões que vão agora ser alvo de estudos e consultas. Por uma questão de proximidade, vamos trabalhar em estreita colaboração com as entidades locais e população, para que a Bacia Lusitaniana possa ser um exemplo de excelência no combate às alterações climáticas”.

As tecnologias CCUS são amplamente reconhecidas como uma parte essencial dos esforços para cumprir as metas do Acordo de Paris, tendo um enorme potencial na redução significativa das emissões dos setores industriais e de produção de energia da Europa.

O conselho consultivo externo do projeto, os parceiros de consórcio e os participantes portugueses, onde se inclui para além da CIMPOR, a Direção Geral de Energia e Geologia, a Universidade de Évora e a Universidade Nova de Lisboa, selecionaram como zonas de maior potencial para a implantação em larga escala das tecnologia CCUS, o Vale do Ródano na França, a Bacia do Ebro em Espanha, e a Bacia Lusitaniana em Portugal. Esta região estende-se pela zona Oeste de Portugal, quer onshore quer offshore, abrangendo as principais instalações emissoras de CO2 situadas entre a Figueira da Foz e Setúbal.

Um dos investigadores da Universidade de Évora, Júlio Carneiro, disse que “as tecnologias CCUS promovem a captura do CO2 em fontes emissoras importantes, como fábricas de cimento, refinarias e outras, e a sua utilização como matéria-prima para criar outros produtos, como combustíveis sintéticos ou mesmo materiais de construção, conferindo-lhe um valor económico. Enquanto não existirem condições para a sua utilização em larga escala, uma parte do CO2 pode ser armazenado no subsolo em formações geológicas profundas. Seja qual for a solução, estas tecnologias constituirão uma opção fundamental para a economia circular e para a neutralidade carbónica de alguns setores industriais do país.”

Patrícia Fortes, investigadora no CENSE da Universidade Nova de Lisboa sublinha ainda que: “é imperativo agir rapidamente no sentido de mitigar o impacto devastador das alterações climáticas. O projeto STRATEGY CCUS, surge para analisar o potencial da CCUS na descarbonização, identificar custos, barreiras e oportunidades e avaliar os impactes ambiental, económico e social ao longo do seu ciclo de vida.”

O processo de seleção foi baseado num conjunto de critérios que inclui a existência de clusters industriais, condições de transporte e armazenamento geológico de CO2 e oportunidades para a utilização do CO2.

As três regiões selecionadas serão agora, durante os próximos doze meses, objeto de estudos aprofundados de Análise de Ciclo de Vida, para avaliar os impactos ambientais de implementação da tecnologia CCUS, e de Análise técnico-económica. Além disso, serão ouvidas as partes interessadas sobre todos os aspetos relativos à implementação destas tecnologias.

Os roteiros CCUS resultantes do Projeto vão incluir informação técnica, identificação das melhores práticas em questões como a aceitação social, e modelos de negócio para a captura, utilização e armazenamento de CO2, com o principal objetivo de demonstrar que as tecnologias CCUS são viáveis e valiosas para cumprir os compromissos do Acordo de Paris sobre a ação climática, e designadamente o objetivo exigente já assumido por alguns países, entre os quais Portugal, de atingir a neutralidade carbónica em 2050.

Foto: Reuters