Num mundo cada vez mais exigente em termos de recursos e sustentabilidade, as tecnologias e inteligência artificial surgem como aliadas poderosas na construção de soluções verdes. De sistemas que otimizam o consumo de energia em edifícios a plataformas que monitorizam e gerem recursos hídricos em tempo real, a IA está a transformar a forma como encaramos a eficiência e a sustentabilidade.
O futuro das tecnologias verdes está cada vez mais ligado à capacidade de aprender, adaptar e intervir de forma inteligente, oferecendo soluções que combinam inovação tecnológica com responsabilidade ambiental.
Assim, nesta reportagem, a Ambiente Magazine procurou junto de diferentes empresas compreender quais têm sido os avanços das mesmas no que respeita ao uso de tecnologias mais verdes e à introdução da inteligência artificial na sua operação. Hoje ouvimos a Aquapor.
“IA permite-nos antecipar em vez de apenas reagir”
A Aquapor, empresa que atua no setor das águas, considera tecnologias verdes “todas as soluções, físicas ou digitais, que contribuem para reduzir consumos, diminuir impactos ambientais e melhorar a eficiência dos sistemas hídricos, garantindo simultaneamente resiliência e sustentabilidade” – aqui encaixam-se infraestruturas de baixo impacto e soluções baseadas na natureza, mas também tecnologias digitais como sensores energicamente eficientes, plataformas de análise preditiva, digital twins, automação inteligente e otimização energética orientada por dados.
Segundo António Pereira, Responsável de Soluções de Performance do Departamento de Operações, a IA assume-se como um “pilar transformador para o setor das águas”, porque “num contexto exigente como o que vivemos atualmente, marcado por eventos climáticos extremos, infraestruturas envelhecidas e uma crescente pressão económica, a IA permite-nos antecipar em vez de apenas reagir, apoiar decisões operacionais em tempo real, reduzir perdas e volumes indevidos, melhorar a eficiência energética e otimizar a gestão das infraestruturas”.

Na otimização dos recursos hídricos, a IA pode atuar em três dimensões: “por um lado, é possível antecipar eventos críticos, como cheias, ruturas, perdas de água ou afluências indevidas (AI), com horas ou até dias de antecedência, dando às equipas tempo para agir de forma preventiva. Por outro lado, atua na otimização dos recursos, através do ajuste automático das operações, como por exemplo o controlo de pressão, a operação de bombas, a gestão de ETARs em função das cargas previstas ou a operação de válvulas. Por último, contribui para aumentar a eficiência global do sistema, reduzindo desperdícios e maximizando o uso da água, ao reduzir perdas, diminuir AI, prevenir consumos não autorizados e identificar padrões anómalos”.
Por exemplo, a Aquapor usa IA na AquaFlow – Plataforma Inteligente de Gestão, que identifica anomalias em tempo real, prevê eventos, deteta ruturas, fugas, obstruções e afluências indevidas, permitindo reduções significativas de perdas (de cerca de 28% para 15%) e de AI superiores a 30% em sistemas complexos. Outra ferramenta utilizada é a previsão de caudais e operação em ETAR e emissários, que usa modelos híbridos, combinando IA e hidráulica, para otimizar a operação das redes e prevenir sobrecargas.
“Também utilizamos IA para detetar ligações ilícitas, identificando padrões anómalos de caudal e condutividade que permitem localizar descargas ilegais correlacionando com diferentes eventos meteorológicos. Além disso, a IA contribui para a otimização da substituição de contadores, com modelos preditivos que calculam o ROI ideal para a renovação do parque de contadores”, explica António Pereira, concluindo que a IA “tem vindo a transformar o modo como gerimos os sistemas hídricos, permitindo tomar decisões informadas e baseadas em risco real, não apenas em perceções”.






































