Valor de investimento em energias limpas terá que “triplicar até 2030” para se conseguir uma indústria descarbonizada

Valor de investimento em energias limpas terá que “triplicar até 2030” para se conseguir uma indústria descarbonizada

O cumprimento das metas climáticas do Acordo de Paris custará 43 biliões de euros até 2050, estima-se num estudo do Fórum Económico Mundial e da consultora Oliver Wyman divulgado esta quinta-feira, 11 de novembro, na cimeira do clima da ONU (COP26), de acordo com a Agência Lusa.

Segundo o estudo, ao qual a Agência Lusa teve acesso, o valor de investimento em energias limpas terá que “triplicar até 2030” para um valor entre 3,5 e 4,3 biliões de euros por ano para se conseguir uma indústria descarbonizada.

O dinheiro, sugerem os responsáveis pelo estudo “Financiamento da Transição para um Futuro de Emissões Neutras”, terá que vir da “combinação de capital público e privado” e será necessário mudar os modelos empresariais atuais.

No estudo, identifica-se “um fosso” entre o dinheiro que seria preciso para inovações tecnológicas menos poluentes e “os investimentos reais” para as tornar realidade, porque são pouco competitivos, arriscados e exigem muito capital. Assim, quem inventa essas tecnologias não encontra financiadores e as empresas que poderiam delas beneficiar não conseguem usá-las. “Existem barreiras ao investimento no desenvolvimento de tecnologia neutra para o clima, tanto do lado da oferta — as empresas tecnicamente capazes não conseguem encontrar investidores acessíveis — como do lado da procura — os investidores enfrentam uma escassez de projetos, baixos retornos e alto risco — criando um círculo vicioso que impede o progresso para os objetivos do Acordo de Paris.

Defende-se uma “intervenção pública” que dê benefícios às primeiras empresas que adotem tecnologia que as aproxime da neutralidade carbónica, adianta a Lusa.

Entre os setores mais poluentes como os transportes e a indústria, “que representam 25% das emissões globais”, é mais difícil passar da combustão para a eletricidade, pelo que são “um campo de oportunidades”.

Áreas mais específicas como “o aço, a aviação ou os transportes marítimos” totalizaram 13,8 mil milhões de euros em investimentos em combustíveis mais sustentáveis como o biocombustível e o hidrogénio em 2020, registando-se um aumento anual durante os últimos 10 anos. Contudo, “ainda não são suficientes”, estima-se no documento, que preconiza “um investimento anual entre 700 e 900 mil milhões de euros para alcançar uma descarbonização total”.