Por Sónia Pereira, Gestora de Sustentabilidade na Yunit Consulting
Com o custo da passividade climática a atingir os 500 mil milhões de dólares anuais, a inação deixou de ser uma opção financeiramente sustentável. Segundo o estudo mais recente do Pacto Global das Nações Unidas e da Accenture, intitulado, “Turning the Key”, entramos agora numa era de pragmatismo. A sustentabilidade tornou-se a forma mais eficaz de mitigar riscos, reduzir custos operacionais e garantir a viabilidade económica num mercado que já não tolera a ineficiência.
Resiliência e valor: o novo “business case” global
Apesar da volatilidade geopolítica e das pressões inflacionistas, a liderança global não está a recuar. Pelo contrário, 88% dos CEO afirmam, neste estudo, que o argumento comercial a favor da sustentabilidade é actualmente muito mais forte do que há cinco anos. Esta mudança transforma a visão de longo prazo no alicerce da resiliência imediata.
Este novo paradigma é sustentado por oportunidades financeiras à escala global: estima-se que as soluções integradas de biodiversidade, energias renováveis e economia circular possam desbloquear 10 biliões de dólares em novos negócios até 2030, além de gerarem cerca de 395 milhões de postos de trabalho, transformando o tecido económico rumo a um futuro regenerativo.
Liderança estratégica: da conformidade à vantagem competitiva
Para os gestores, a questão já não é “se” devem agir, mas “como” devem fazê-lo com a velocidade necessária. O risco de adiar esta transformação é real e significativo. Atualmente, 95% dos CEO colocam a conformidade regulatória no topo das suas prioridades, mas a verdadeira liderança reside em antecipar essas normas e integrá-las no núcleo operacional, de modo a criar valor e a ir além do simples cumprimento legal.
No entanto, existe um hiato tecnológico a superar: embora 96% dos líderes considerem a tecnologia como crítica, apenas 26% a priorizam imediatamente nas suas estratégias. É fundamental vencer esta inércia e escalar soluções de Inteligência Artificial e monitorização para converter metas ambiciosas em resultados mensuráveis.
Engenharia financeira e resultado: viabilizar a mudança
Para o tecido empresarial português, a lição é clara: a sustentabilidade não é um custo, mas sim um investimento na sobrevivência das empresas. No entanto, a transição exige capitais iniciais que nem sempre são compatíveis com a urgência climática. É aqui que ferramentas como, por exemplo, os incentivos financeiros e os benefícios fiscais, se tornam fundamentais.
Através de um apoio especializado, as empresas conseguem identificar oportunidades de financiamento e de otimização fiscal que, muitas vezes, ficam por explorar.
O desafio da próxima década reside na execução prática. Ao combinarem inovação tecnológica e inteligência financeira, as organizações não só garantem a sua longevidade, como também a liderança numa economia que exige simultaneamente resultados lucrativos e sustentáveis.
Na Yunit, acreditamos que este caminho de aceleração coordenada, em que os alicerces do negócio estão alinhados com uma liderança sustentável, é a única forma de evitar um futuro fragmentado e desigual. É tempo de agir com coragem, credibilidade e rapidez.








































