CARRIS e PRIO introduzem 1.ª carreira de autocarros movidos a biodiesel produzido a partir de óleos alimentares usados

CARRIS e PRIO introduzem 1.ª carreira de autocarros movidos a biodiesel produzido a partir de óleos alimentares usados

A carreira 702 da Carris, cujo percurso se faz entre o Marquês de Pombal e a Serafina, é partir de hoje abastecida por um biocombustível (B100) especialmente produzido pela Prio a partir de óleos alimentares usados, que reduz em 83% as emissões de gases de efeito de estufa dos tradicionais combustíveis fósseis. As duas empresas realizaram hoje uma “viagem inaugural” num dos seis autocarros que constituem a carreira 702 e até deram “boleia” a alguns passageiros.

Movido a Biodiesel” é um projeto-piloto que promove uma mobilidade 100% livre de energia fóssil, permitindo reduzir quase integralmente as emissões de CO2 sem necessidade de avançar com quaisquer alterações aos motores dos veículos. Assim, estes autocarros são os mesmos de sempre, mas circulam agora de forma mais sustentável pelas ruas de Lisboa.

Fases do Projeto

O projeto foi desenvolvido em duas fases: a primeira decorreu até julho em que só metade da frota (três veículos) da carreira 702 é que utilizaram o B100 enquanto as restantes mantiveram-se no gasóleo convencional. Nesta primeira fase observou-se que a utilização deste novo biodiesel avançado não causou problemas adicionais em termos do desempenho dos veículos, tendo-se apenas observado um ligeiro aumento de consumo. A carreira 702 foi a escolhia, para iniciar o projeto, pelo facto dos veículos terem de ultrapassar declives acentuados ao longo do trajeto, sendo indicada para aferir se funciona tudo bem.

A segunda fase do piloto, hoje lançada, estende o uso de biodiesel a toda a carreira pretendendo também sensibilizar a população para a importância da reciclagem dos óleos alimentares usados. O projeto “Movido a Biodiesel” é um exemplo da aplicação dos princípios da economia circular no setor dos transportes.

Em suma, a Carris e a Prio realizaram, no último ano, um trabalho conjunto para identificar possíveis impactos no normal funcionamento dos autocarros e monitorizar os consumos de combustível. Os resultados reforçam a viabilidade e pertinência do uso do biodiesel como opção para a transição energética.

Biodiesel como opção para a transição energética

“Este projeto permitiu desmistificar a ideia de que os combustíveis produzidos a partir de óleos alimentares usados têm impacto negativo nos veículos. Após vários meses de testes, não identificámos diferenças significativas nos autocarros que têm usado este combustível, quando comparados com veículos similares e utilizados nos mesmos percursos”, diz José Roseiro, diretor de manutenção de autocarros da Carris.

“O projeto vem mostrar o comprometimento da Carris na melhoria do desempenho ambiental da mobilidade em Lisboa. A empresa está a fazer um grande esforço de renovação da sua frota, mas naturalmente não se renova uma frota com a dimensão da Carris do dia para a noite. Com este projeto pretendemos atingir dois objetivos: explorar mais uma forma de reduzir os impactos climáticos da operação e usar a grande visibilidade que a empresa tem na cidade de Lisboa para sensibilizar a população para a importância da reciclagem”, acrescenta Tiago Farias, presidente do conselho de administração da Carris.

“Mais do que apenas uma rede de postos de alta qualidade ao melhor preço, temos como missão ser a líder nacional nas energias do futuro para a mobilidade. Foi por isso que apostámos desde muito cedo quer em soluções para os veículos elétricos, quer na produção de biocombustíveis avançados, nas quais pretendemos continuar a investir”, refere Emanuel Proença, administrador executivo da Prio.

Sobre o projeto, Emanuel Proença explica que “promover o uso destes biocombustíveis avançados é das melhores formas de assegurar uma transição energética mais rápida, mais barata, com maior valor acrescentado nacional e com efeitos colaterais mais positivos para o país e para o mundo. Estamos convictos que Portugal pode recorrer muito mais a estes biocombustíveis avançados nos próximos anos, como forma de alcançar as medidas ambiciosas de transição energética que o Estado tem promovido. Poder trazer essa solução para a rua, em conjunto com um parceiro como a Carris, é motivo de um tremendo orgulho para a Prio”.