“É preciso mais segurança energética depois dos atentados em Paris”

“É preciso mais segurança energética depois dos atentados em Paris”

Vários tópicos constavam da ordem de trabalhos da reunião, mas quatro dias antes do encontro da Agência Internacional de Energia (AIE) aconteceram os atentados na capital francesa.  O reforço da segurança energética a nível mundial passou, assim, a ser o tema principal. “Os atentados vieram reforçar a preocupação e mobilização de todos para o tema da segurança energética”, disse ao Jornal de Negócios o ministro do Ambiente, que participou no encontro que teve lugar estas terça e quarta-feira na cidade mais falada do mundo por estes dias. Jorge Moreira da Silva salientou que os ataques na capital francesa “vieram tornar ainda mais sólido o trabalho que é preciso fazer, como o reforço da segurança energética”, através da “diversificação de fornecedores de rotas de petróleo e de gás”.

Esta reunião marcou também uma mudança no mandato da AIE. A organização foi criada depois da crise do petróleo nos anos 70, com o objetivo de assegurar a segurança energética no aprovisionamento do “Ouro negro”. Este mandato vai ser agora alargado ao gás, um passo relevante para Portugal, que pretende assumir-se como “a porta atlântica de gás na Europa” e constituir-se como alternativa à Rússia, através do porto de Sines e das interligações energéticas ibéricas com França.

Também a Cimeira do Clima (COP 21) que se realiza daqui a duas semanas foi discutida na reunião, onde a AIE destacou o papel “crucial” que as renováveis vão ter no combate às alterações climáticas. Até 2030, vão ser investidos 400 mil milhões de euros em energia limpa em todo o mundo, o que vai permitir triplicar a atual potência das renováveis, criando 3,5 milhões de postos de trabalho para um total de 10 milhões de empregos, segundo a AIE. “A evolução tecnológica tem sido tão relevante e a redução de custos tem sido tão rápida que temos de fixar metas na Cimeira de Paris tão ambiciosas para que estas reduções possam prosseguir”, sublinhou.

O governante deu o exemplo da redução dos custos nas tecnologias limpas desde 2008: o custo da iluminação LED baixou 90%; as baterias baixaram 70%; a tecnologia fotovoltaica desceu 60%, a eólica caiu 40%. “O combate ás alterações climáticas é urgente, é preciso sairmos da COP 21 com um acordo abrangente, ambicioso e custo-eficiente”, declarou.

Na reunião onde participaram os 29 estados-membros da AIE, Portugal esteve em destaque por várias vezes. Primeiro, pela aposta nas energias renováveis. Depois, pela reforma da fiscalidade verde e, por último, pelo programa Eco.mob que visa reforçar a mobilidade elétrica no Estado