#Economia Circular: Aqualastic quer transformar comportamentos e mitigar o efeito dos plásticos nas linhas de água urbanas

#Economia Circular: Aqualastic quer transformar comportamentos e mitigar o efeito dos plásticos nas linhas de água urbanas

A Economia Circular está, hoje, subjacente em muitas empresas. Produtos sustentáveis, amigos do ambiente e com um ciclo de vida longo são, cada vez mais, uma opção. Há também quem ponha em prática estes conceitos e desenvolva os seus próprios produtos. Com o objetivo de dar “voz” a projetos de cariz sustentável, a Ambiente Magazine irá, todas as semanas, apresentar algumas iniciativas aos nossos leitores e dar a conhecer o que se faz em Portugal nesta área. Esta semana partilhamos o projeto “AQUALASTIC: EDUCAR, REDUZIR E VALORIZAR“, desenvolvido pelo Laboratório da Paisagem de Guimarães.

Financiado pelo Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente e da Transição Energética, o Aqualastic pretende ser “mais uma oportunidade para aumentar a sensibilização e consciencialização da população” para a “necessidade de mudar o consumo de plástico” e, essencialmente, de “refletirmos sobre alguns dos nossos comportamentos diários e o seu impacto sobre o ambiente”. É assim que Carlos Ribeiro, diretor executivo do Laboratório da Paisagem, olha para esta iniciativa, acrescentando que, sendo um projeto que quer “alertar consciências”, fá-lo com recursos a uma “forte estratégia de comunicação”, mas também “através da implementação de algumas soluções inovadoras” com foco em “mitigar o efeito dos plásticos nas linhas de água”. No fundo, o Aqualastic surge na “sequência daquilo que tem sido o trabalho do Laboratório da Paisagem” no âmbito dos recursos hídricos, procurando conjugar a “Investigação & Desenvolvimento (I&D)”, a “educação ambiental” e a “comunicação”. Além disso, decorre daquela que é uma aposta firma de Guimarães na “diminuição da utilização de plástico”, nomeadamente os de “uso único, sendo que tal aposta esteve mesmo na “génese da declaração de compromisso de redução da utilização de plásticos de uso único” que o “município de Guimarães assinou no Fórum Ambiental da Eurocities”, em Oslo, no último ano.

E como, ambientalmente, atua este projeto? Carlos Ribeiro refere que, se por um lado, são propostas “ações de sensibilização e comunicação fortes”, quer sob a “forma de intervenções artísticas em contexto urbano”, quer através de “spots promocionais”, por outro, inclui “ações de formação e capacitação” que façam “refletir os cidadãos sobre o impacto dos plásticos nas linhas de água” ou sobre a “importância, de cada vez mais, pugnarmos por uma economia circular”. Ao mesmo tempo, o Aqualastic inclui a “incorporação de algumas soluções” que pretendem “mitigar o efeito dos plásticos nas linhas de água urbanas”, quer através do “desenvolvimento de filtros personalizados para sumidouros” quer da “construção de uma EcoBarreira numa das principais linhas de água urbanas do concelho”, explica. É aliás, através destes sistemas, em parceria com a empresa Extruplás, que “propomos a recolha de algum do plástico que muito frequentemente se encontra nos nossos rios”, procurando “valorizá-lo e voltando a devolvê-lo à comunidade”, deixando bem presente a “importância de uma economia circular”, vinca. A tudo isto, junta-se a componente de I&D sobre a presença e impacto dos microplásticos nas linhas de água urbanas de Guimarães: “Procuraremos atuar em diversos contextos, integrando sempre as várias componentes em que o Laboratório da Paisagem trabalha”, afirma. 

Transformar do local para o global

Comparando Portugal com outros países no que diz respeito à temática economia circular, o responsável diz que se trata de uma “comparação difícil” de se fazer até porque os “contextos não são idênticos”, assim como as “estruturas e os apoios”. Mas nestas matérias há ainda um “longo caminho a percorrer”, afirma, destacando a necessidade de se atuar, essencialmente, sobre a “moderação do consumo deste tipo de produtos”, demonstrando que “há alternativas”, ao contrário do que muitas vezes se pensa: “Será sempre aí que teremos de atuar, primeiramente, na consciencialização, na educação, principalmente nas novas gerações”. Carlos Ribeiro reconhece, contudo, que já há bons exemplos no país no âmbito da “valorização do plástico”, considerando mesmo que “esses bons exemplos merecem ser sublinhados e até escalados”. Mesmo assim, reforça, o caminho deve ser feito através do “investimento em I&D”, procurando-se “estabelecer mais sinergias entre instituições de investigação e empresas”. Mas “todas as estratégias só resultam com uma forte componente de educação” que ajude a transformar também os hábitos da população “envolvendo-os nesta luta. Fazendo-os perceber aquilo que é o impacto dos nossos comportamentos”, sustenta. 

E daquele que parece ser o “caminho longo”, Carlos Ribeiro chama a atenção para a necessidade de se perceber que cada um, no seu dia-a-dia pode fazer a diferença: “Será importante que cada cidadão, que cada município, vá dando o seu contributo, alterando algumas das suas políticas locais e contribuindo para mudar comportamentos dos cidadãos”. E em Guimarães, a aposta tem sido essa, através da “distribuição de garrafas reutilizáveis junto dos alunos das Escolas, quer a “utilização de copos reutilizáveis nos bares” do Centro Histórico, a “não utilização de plástico em eventos municipais”, a “distribuição de sacos de pano no Mercado Municipal por parte da Câmara Municipal” ou até a “distribuição de máscaras reutilizáveis pelos munícipes, em sacos de papel, ao invés das descartáveis”. No fundo, aquilo queserá importante é que “cada cidadão, cada município vá dando o seu contributo, ajudando a transformar do local para o global”.

Se a pandemia da Covid-19 trará ou dificultará aqueles que já são os desafios prementes, Carlos Ribeiro chama a atenção para aquelas que são as mais recentes pesquisas, que têm deixado bem claro que “as máscaras ou até as luvas” ocuparão, a “curto prazo”, o “pódio dos produtos mais encontrados nas linhas de água e nos oceanos”. Face à realidade que se avizinha, “urge” que, a “curto prazo” se “aumente a consciencialização de que o seu uso é fundamental do ponto de vista da saúde pública” mas que, de repente, “não as podemos transformar no rastilho para graves problemas ambientais”, refere. Por outro lado, acredita que o “caminho da valorização das máscaras descartáveis” da qual já se vê alguns exemplos noutros países, poderá ser a “resposta para mitigar o impacto do crescimento deste resíduo”.

O setor dos Plásticos daqui a 30 anos… 

Entrar em previsões será sempre um risco. Mas creio que se as metas e as diretrizes europeias e mundiais forem cumpridas, vamos necessariamente passar por uma transformação. Não será o fim do plástico mas uma transformação do setor, com uma diminuição clara da utilização de plásticos de uso único, com a aposta noutras alternativas ambientalmente mais sustentáveis, uma aposta clara na reutilização do plástico, aumentando o seu tempo médio de vida, mas também na sua reciclagem e valorização, continuando a pugnar, de forma efetiva, por uma Economia Circular.

 

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