#EconomiaCircular: “Banco de Bens” incentiva o reaproveitamento, a recuperação e a reciclagem de materiais

#EconomiaCircular: “Banco de Bens” incentiva o reaproveitamento, a recuperação e a reciclagem de materiais

A Economia Circular está, hoje, subjacente em muitas empresas. Produtos sustentáveis, amigos do ambiente e com um ciclo de vida longo são, cada vez mais, uma opção. Há também quem ponha em prática estes conceitos e desenvolva os seus próprios produtos. Com o objetivo de dar “voz” a projetos de cariz sustentável, a Ambiente Magazine irá, todas as semanas, apresentar algumas iniciativas aos nossos leitores e dar a conhecer o que se faz em Portugal nesta área. Esta semana, partilhamos o projeto “Banco de Bens”.

O “Banco de Bens” afirma-se como uma “resposta social” complementar ao trabalho desenvolvido pela MatosinhosHabit, visando proporcionar uma “melhor qualidade de vida e bem-estar a todos os munícipes em situação de vulnerabilidade socioeconómica”, promovendo o “trabalho em rede”, estimulando a “economia circular” e fomentando a “solidariedade”. Quem o diz é Tiago Maia, administrador MatosinhosHabit, assegurando que o projeto não se restringe apenas à vertente de apoio da comunidade local, dado que o combate ao desperdício e a promoção da reutilização de equipamentos é outra das premissas do “Banco de Bens”, enquanto promotor do conceito de economia circular: “Contribui para a reutilização, como forma de ajudar pessoas e instituições, ao mesmo tempo que ajuda no combate ao desperdício, incentivando o reaproveitamento, a recuperação e a reciclagem de materiais”.

Segundo o responsável, este projeto estimula a economia circular no sentido em que receciona bens doados por particulares e Instituições, que posteriormente são catalogados e registados numa base de dados. Depois, conforme a avaliação do estado de cada um destes bens, os mesmos são enviados ao cuidado da equipa da Lipor, que poderá realizar uma reparação total ou parcial. Tal como explica Tiago Maia, alguns destes bens encontram-se em bom estado de utilização, não sendo necessária qualquer intervenção: “Só nesta etapa do processo já estamos a retirar ao processo linear muitos quilos de materiais que podiam não ter qualquer aproveitamento”. Um bom exemplo são os termoventiladores que, tendo em conta o preço de mercado, muitas vezes são facilmente descartáveis: “Com uma pequena reparação, conseguimos recondicionar esses equipamentos. Estamos assim, a reverter o ciclo destes equipamentos, evitando o desperdício”. Posteriormente, depois de recondicionados ou assegurado o bom estado dos bens, os mesmos ficam disponíveis para serem doados: “É assim que este projeto contribui para o crescimento do ciclo circular dos materiais”, precisa.

Quanto a balanços, Tiago Maia refere que, ao longo do período de funcionamento do projeto, o número de doações tem vindo a aumentar: “Isto leva-nos a concluir que a população está a apropriar os objetivos deste projeto. Estamos a retirar bens de uma economia linear e a contribuir para o aumento da economia circular, e no final deste processo estamos a mitigar as desigualdades sociais da nossa comunidade”. É por isso que se pode afirmar que os resultados têm sido extremamente positivos e motivadores para seguir em frente a fazer a diferença: “Desde o início do projeto, já conseguimos entregar cerca de 127 equipamentos”, destaca.

O caminho passa pela mobilização da comunidade

Para o futuro, é objetivo dar continuidade ao projeto, aumentando a rede de parceiros que podem contribuir para o recondicionamento de equipamentos: “Um exemplo de um parceiro que acrescentou valor ao projeto foi a Escola Profissional de Matosinhos (EPROMAT), que possibilitou o recondicionamento de material informático, através dos seus alunos-estagiários”. Tiago Maia reconhece que um dos desafios é precisamente a “falta de mão de obra específica” que existe: “A necessidade de encontrar parceiros, em áreas técnicas específicas é um dos nossos objetivos para o futuro. Vamos também procurar aumentar a rede de parceiros que podem vir a integrar o projeto como doadores”.

Avaliando agora a prestação de Portugal em matérias de economia circular, o administrador da MatosinhosHabit não tem dúvidas de que “somos um dos países exemplos”, no que diz respeito ao uso de energia renovável para fornecimento à rede elétrica nacional de energia: “Já iniciamos há, aproximadamente, 15 anos o caminho para um futuro mais verde”. Também, a União Europeia tem investido muito nesta temática, aprovando, por exemplo, o “Plano de Ação para a Economia Circular” e “linhas de financiamento” para que os diferentes Estados-membros consigam promover melhorias significativas de desempenho neste domínio. Em Portugal isto é visível através do Fundo Ambiental que tem como missão apoiar políticas ambientais para a prossecução dos objetivos do desenvolvimento sustentável: “Um dos exemplos é o JUNTAR que, no ano passado, dirigido às autarquias locais, apoiou 49 projetos, que foram desde redes locais de compostagem, a reutilização de manuais escolares, passando por cozinhas, repair cafés, entre outros”. Para o responsável, o caminho passa exatamente pela “mobilização” da comunidade que, atualmente, é “atenta” e está “sensibilizada” para o uso eficiente dos recursos ambientais: “É isso que fazemos no Banco de Bens”, sucinta.

Quais as perspetivas para o futuro sobre estas matérias?

O Ambiente deverá ser considerado um setor estratégico. Consideramos, por exemplo, a Energia como setor estratégico isolado, mas estamos a estreitar a visão que devíamos estar a adotar. O Ambiente deve ser o foco da discussão, onde se inserem todos os outros setores, energetico, florestas, descarbonização, etc., e numa abordagem mais ampla e integrada, avançar com um conjunto de reformas estratégicas, que cumpram objetivo de um Portugal sustentável daqui a 10/20 anos. Um dos melhores exemplos deste tipo de abordagem é o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que define um conjunto de investimentos no domínio da mitigação das alterações climáticas, nomeadamente a descarbonização e a transição energética, e a digitalização – em particular no tecido empresarial. Estes eixos de desenvolvimento e investimento, não estão pensados como apenas medidas de recuperação da economia a curto prazo, serão, também, a base para a tão desejada transformação climática do nosso país e foram definidos de forma integrada, num plano estruturado de desenvolvimento económico, transversal a todas as áreas. Devemos dar continuidade a esta visão e ambicionar mais, liderando, a nível europeu ou até mundial, este processo de transição económica. A componente mais rica da economia de um país é o seu ambiente, sem este não há futuro.

Cristiana Macedo