Irão fica impossibilitado de ter armas nucleares

Categoria Ambiente, Energia

Tal como foi noticiado ontem, depois de dois anos de persistência negocial das principais potências mundiais e o regime de Teerão, foi finalmente produzido um acordo, já considerado por muitos, “histórico”. Conforme noticiavam todos os jornais diários hoje, o compromisso alcançado pelo chamado grupo 5+1 (EUA, Reino Unido, França, Rússia, China + Alemanha) permite “levantar o véu sobre o controverso programa atómico iraniano” – lia-se no jornal Público – que se desenrolava no mais completo secretismo há mais de uma década: “ao longo desses anos, o regime foi alegando que as suas actividades tinham fins pacíficos de produção de energia e investigação médica e científica, e as potências ocidentais foram contra-argumentando que o desenvolvimento dessa tecnologia permitiria a construção de uma bomba atómica”.

O Irão e as seis potências mundiais alcançaram um acordo que irá colocar à crise que dura há 12 anos e que afastou o Irão do resto do mundo. O embargo tirou do mercado um grande produtor de petróleo que, aos poucos, irá voltar a injectar barris nos mercados internacionais. O Irão está a produzir este ano uma média de 2,8 milhões de barris de petróleo por dia, segundo a Bloomberg. Um valor que poderá aumentar em 500 mil por dia, mal sejam retiradas as sanções ao país, disse o ministro iraniano do Petróleo, Bijan namdar Zanganeh. Para além do aumento da oferta de petróleo no país, serão abertas as portas a importações de bens de muitas empresas. Mas, a grande novidade, é que o acordo alcançado esta terça-feira “vai impossibilitar o Irão de obter uma arma nuclear”, salientou Barack Obama, garantindo, assim, que “todos os caminhos para uma arma nuclear estão cortados, e o regime de transparência e a inspecção necessária para verificar esse objectivo vai ser implementado”, acrescentou o presidente dos EUA, segundo o Jornal de Negócios.
Em contrapartida, os aliados internacionais aceitam remover, gradualmente, as sanções que foram impostas ao Irão, e que levaram por exemplo à redução para metade das exportações de petróleo (nos mercados, o preço do crude caiu mais de 2% assim que o acordo foi anunciado). Numa comunicação formal ao país, Hassan Rohani falou no fim de uma “crise desnecessária”, que trouxe sérios prejuízos e dificuldades à vida quotidiana dos iranianos – referindo-se aos anos de contracção económica por efeito das sanções. Ambos os lados fizeram concessões importantes para ultrapassar o impasse: o Irão sacrificou 98% das suas reservas de urânio enriquecido e paralisou dois terços das suas centrifugadoras por um prazo de dez anos; os aliados aceitaram que a república islâmica tem direito ao uso de tecnologia nuclear e cederam no prazo das restrições, que estarão em vigor por apenas dez anos.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, congratulou-se com o facto de se ter encontrado uma solução assente na “fundação sólida da lei internacional” e “baseada nos princípios do faseamento e da mutualidade que [o nosso país] consistentemente defendeu em cada etapa destas complicadas negociações”. A Rússia, que apesar do regime de sanções se manteve como um dos poucos parceiros do Irão, anunciou um “novo ímpeto na relação bilateral, que deixará de ser influenciada por factores externos”, e garantiu que “usará todo o seu poder para assegurar o cumprimento do acordo”.

Explicando o alcance do acordo e as suas consequências práticas, o responsável pelos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Phillip Hammond, disse que “sem a ameaça de uma arma nuclear, o Ocidente poderá recuperar os contactos [políticos] com o Irão, e sem um regime de sanções, as empresas poderão restabelecer laços comerciais e voltar a investir no Irão”. “Isto abre uma nova perspectiva de um Irão mais cooperante, mais transparente, de um parceiro mais consistente no Golfo [Pérsico] e que possa dividir com os restantes países a responsabilidade de combater o Estado Islâmico e a sua ideologia extremista”, considerou. À BBC, o seu homólogo iraniano, Mohammad Javad Zarif, concordou que a ameaça jihadista “não é um problema exclusivo da Síria ou do Iraque, é uma realidade global. Agora que levantámos a cortina da ‘irano-fobia’ podemos cooperar para lidar com esse problema”.