Já está disponível nova versão do Sistema de Informação de Indicadores de Perdas de Água

Já está disponível nova versão do Sistema de Informação de Indicadores de Perdas de Água

Categoria Águas, Ambiente

A Comissão Especializada de Sistemas de Distribuição de Água (CESDA) da APDA (Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas) colocou à disposição de todos os interessados a versão 2 do SIIPA – Sistema de Informação de Indicadores de Perdas de Água.

Esta nova versão complementa a primeira, que só permitia a consulta dos indicadores de perdas em baixa, e já inclui dados do RASARP 2020 (Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal realizado pela ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos), possibilitando também a consulta para os sistemas em alta, entre 2011 e 2019, refere a APDA em comunicado.

A disponibilização deste sistema de informação insere-se no objetivo da CESDA em desenvolver e partilhar as melhores práticas de controlo de perdas num setor essencial para o bem-estar e qualidade de vida dos portugueses. De destacar que a Comissão Especializada da APDA tem também assumido a missão de valorizar e divulgar algumas das mais bem-sucedidas experiências nacionais de controlo de perdas de água.

Segundo o comunicado da APDA, a ferramenta em questão permite fazer um tratamento geográfico e mais pormenorizado dos indicadores de perdas disponibilizados pela ERSAR e evitar o foco único no indicador de água não faturada em baixa (perdas comerciais) de 28,8% em 2019.

Com o SIIPA é assim possível concluir que as perdas reais – aquela água que é efetivamente perdida por roturas nas redes – tanto nos sistemas em baixa como em alta, reduziram para 20,4% nos sistemas em baixa e para apenas 3,2% nos sistemas em alta. É possível também constatar que nas áreas predominantemente urbanas (40% do país) as perdas reais já se encontram nos 12,6%. Nas áreas medianamente urbanas (35% do país) estão próximas da média global, com 20,7% e apenas nas restantes áreas, predominantemente rurais, as perdas reais ainda atingem os 33,7% da água entrada nos sistemas.

Na prática, existe um conjunto de entidades predominantemente rurais que ainda têm margem para evoluir e um conjunto de entidades mais urbanas que já atingiram níveis de classe mundial. Como se verifica no relatório da ERSAR sobre o PENSAAR 2020, 70% dos alojamentos já são abrangidos por entidades gestoras com avaliação satisfatória no indicador de perdas reais.

Mas mesmo no conjunto das entidades classificadas como predominantemente rurais há algumas que conseguem sobressair. Por exemplo, a EMAS de Beja através de medidas consistentes conseguiu reduzir para metade o seu indicador de perdas reais, passando de 97 para 48 L/(ramal.dia) em dois anos. Através do SIIPA consegue-se determinar que, no mesmo período de dois anos, os oito municípios à volta de Beja também reduziram a média deste indicador, mas em menor escala e percentagem, passando de 157 para 150 L/(ramal.dia). Esta comparação, que com o SIIPA pode ser feita para qualquer zona do país, revela as potencialidades de uma forte colaboração e partilha regional de metodologias de trabalho e organização.

Continuando na análise das perdas reais em baixa – aquela água que é efetivamente assumida como um desperdício – constatou-se que “em 2019 houve 117 sistemas que melhoraram o desempenho face a 2018” e que, em conjunto, estes sistemas conseguiram reduzir as perdas reais em cerca de 13 milhões de metros cúbicos. Podendo ainda não ser suficiente, “estes 13 milhões de metros cúbicos de água recuperada são superiores ao que é distribuído em Coimbra durante um ano inteiro e equivalem ao consumo médio anual de 110 mil famílias”, indica o comunicado.

Para apresentar a nova versão do SIIPA e ajudar as entidades gestoras com pior desempenho a serem mais eficientes na redução das perdas de água, a APDA vai promover, no próximo dia 12 de março, o webinar “SIIPA 2.0 – O caminho das Perdas de Água em Portugal”.

Neste encontro, aberto à participação de todos os interessados, vai ser igualmente divulgado o trabalho positivo de algumas entidades gestoras neste campo, nomeadamente as experiências e metodologias em uso na INDAQUA, SMAS de Sintra, EMAS de Beja, Águas do Norte e SMAS de Mafra.