Loulé reúne Conselho Local de Acompanhamento para a Ação Climática

Loulé reúne Conselho Local de Acompanhamento para a Ação Climática

Decorreu esta terça-feira a quinta reunião do Conselho Local de Acompanhamento (CLA) da Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC) de Loulé, que teve como ponto principal a apresentação dos trabalhos em curso referentes ao Plano Municipal de Ação Climática (PMAC). Segundo o comunicado enviado pelo município, a sessão reuniu no auditório do Solar da Música Nova um conjunto de intervenientes, desde representantes de organismos desconcentrados da administração pública regional e local, a diretores de escolas e técnicos municipais, num total de cerca de cem pessoas em representação de quarenta entidades.

No decurso dos trabalhos foi dado a conhecer o ponto de situação do PMAC que ainda está em fase de elaboração, e que é primordial para dar continuidade ao processo de implementação da EMAAC, através do aprofundamento do conhecimento setorial e territorial.

Loulé faz assim parte de um grupo muito restrito de municípios que “manifestou uma grande preocupação em tornar a sua estratégia operacionalizável”, como explicou Sérgio Barroso, geógrafo, urbanista e coordenador da equipa que desenvolve este Plano cujo principal objetivo é aprofundar o conhecimento das implicações que a mudança do clima vai ter no território e na qualidade de vida das populações, para que se possam “tomar opções mais concretas e exequíveis, passando rapidamente à ação”. Neste caso, o Plano de Loulé distingue-se também por não só apresentar medidas de adaptação mas também de mitigação, “mais do que um plano municipal de adaptação, vamos ter um plano climático, que vai ter medidas e opções para a adaptação a mitigação”, sublinhou Sérgio Barroso.

O aumento generalizado da temperatura do ar, as ondas de calor mais frequentes e persistentes, a diminuição generalizada da precipitação anual, o aumento da frequência de dias muito quentes e as secas mais frequentes e severas são algumas das projeções climáticas para este Concelho às quais é necessário fazer face.

Se no interior os incêndios florestais e a seca extrema são a principais vulnerabilidades a que o Município está sujeito, no litoral o aumento do nível médio das águas do mar é uma das situações que se projetam e para a qual os responsáveis do Município estão já a desenvolver opções de adaptação. Segundo Carlos Antunes, docente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e especialista em Engenharia Geográfica, que esteve presente na reunião, o litoral do Concelho de Loulé, exemplo de outras zonas costeiras da região e do país, é considerado uma área de risco com projeções de agravamento para o final do século.

Nesse sentido, a Câmara Municipal de Loulé começa já a dar passos para travar esta situação, como foi o caso da aprovação de medidas preventivas, no âmbito da Revisão do PDM, que permitiu travar um projeto de construção urbanística massiva na zona húmida da Lagoa da Foz do Almargem, em Quarteira.

Vítor Aleixo mostrou-se confiante perante o trabalho que o Município tem vindo a desenvolver com enfoque na ação climática e acrescentou que “preocupava-me mais se não estivéssemos a encarar o problema com o sentido de responsabilidade como estamos a fazer neste momento. Os municípios têm que, muito rapidamente, preparar-se para fazer face a esse problema da Humanidade, um problema global. Localmente estamos já a prepararmo-nos da melhor forma possível para encontrar as nossas respostas”.

Recorde-se que Loulé foi um dos municípios que integrou o projeto ClimAdaPT.Local, em 2015, dotando-se depois de uma Estratégia Municipal para Adaptação às Alterações Climáticas. Segundo o autarca, que é também presidente da Rede Portuguesa de Municípios para a Adaptação às Alterações Climáticas, das 28 opções que daí resultaram 14 estão já neste momento em implementação.

Numa lógica de participação e envolvimento, esta sessão terminou com a dinamização de oito grupos, sobre quatro temáticas, o “Nível do mar e erosão costeira”; “Temperaturas elevadas, ondas de calor e incêndios florestais”; “Eventos extremos de precipitação” e “Escassez de água e secas meteorológicas”, de que emergiram novos contributos para a operacionalização do Plano Municipal de Ação Climática.

O Município de Loulé acredita no poder da ação conjunta e, desta forma, vai continuar a dinamizar momentos que incentivem a cooperação entre os vários setores e atores estratégicos, no sentido de reforçar o trabalho de construção do caminho de capacitação e resposta às alterações climáticas.