Nova empresa torna operações agroflorestais mais inteligentes e otimizadas 

Nova empresa torna operações agroflorestais mais inteligentes e otimizadas 

Revolucionar o setor agroflorestal é a grande ambição da nova empresa do CEiiA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto) e da ELIO Tecnologia. Apresentada recentemente, a joint-venture vai “utilizar toda a capacidade de engenharia e desenvolvimento de produto do CEiiA” associado ao “know-how da ELIO Tecnologia” para a área agroflorestal, permitindo assim uma “forte agregação de valor nos negócios” dos clientes. Além disso, esta empresa transfere também todo o “desenvolvimento de uma aeronave disruptiva e patenteada” que irá “revolucionar a aplicação inteligente de agroquímicos e a logística autónoma: o Elio Airship”.

À Ambiente Magazine, Tiago Rebelo, diretor de Desenvolvimento de Produto do CEiiA, conta que a parceria começou pela “exploração das complementaridades na área de aeronáutica autónoma”, usando “veículos autónomos desenvolvidos e patenteados” por ambas e com a “integração de inteligência visual da Elio Tecnologia”, principalmente para a “área agroflorestal” onde tem “know-how e experiência”. Um ativo diferenciador desta joint-venture está precisamente no facto de ser a “única a integrar tecnologia aeronáutica autónoma” com “sensores proprietários” e “inteligência artificial” que, segundo o responsável, permite “fornecer aos nossos clientes insights e forecasts críticos para a otimização do seu negócio”. Assim, com este serviço, é possível “obter relatórios de inteligência agroflorestal” bem como “previsão de colheita”, integrando “dados de visão” e “dados de operação” gerados através de “sensores integrados”, refere.

Tiago Rebelo acredita que os ativos diferenciadores da empresa vão permitir revolucionar o setor. Através dos “serviços de inteligência visual”, integrando “aeronaves autónomas, sensores, inteligência artificial e machine Learning”, a empresa fornece “insights e foresights sobre as operações agroflorestais”. Já o “uso do Airship” permite a“aplicação inteligente de agroquímicos e fertilizantes”. Os dois ativos vão permitir aos clientes ter “inteligência e otimização de negócio nas mãos”, contribuindo assim para um “aumento de produtividade” e “maior eficiência nas suas decisões de produção”.

“A tecnologia está fragmentada e é fornecida de forma desorganizada”

Questionado sobre quais os principais desafios no setor agroflorestal, o responsável refere que se prendem, sobretudo, com a “produção de forma mais económica e sustentável”, sendo que a integração da “tecnologia de ponta” é uma mais-valia, no sentido de contribuir para a “digitalização” de um setor puramente tradicional. Na visão do responsável, trata-se assim de um “setor estratégico” e de “grande impacto societal”, quer diretamente por “fornecer os essenciais alimentos e parte da energia”, quer indiretamente pelos “impactos ambientais, positivos e negativos que provoca”. E, ao mesmo tempo, é um “setor mais tradicionalista”, principalmente constituído, em Portugal, por “pequenos e médios produtores com pouca capacidade de absorver tecnologia”, refere. Mas, além da componente agrícola, o país enfrenta desafios enormes no setor florestal, nomeadamente na “gestão dos espaços florestais”, tendo em conta o “risco aumentado de incêndios” devido às alterações climáticas, salienta. 

É certo que, nos últimos anos, Portugal tem evoluído na “profissionalização da produção agroflorestal”. No entanto, para Tiago Rebelo, há a necessidade de “transferir” para os produtos a “tecnologia adaptada” às suas necessidades: “A tecnologia está fragmentada e é fornecida de forma desorganizada e complexa levando à sua rejeição”. E a Elio Tecnologia tem precisamente a missão de tornar essa tecnologia “acessível e útil” através da “transferência de conhecimento” originado pela “tecnologia e processos de inteligência adaptados a resolução de problemas”. O responsável não tem dúvidas de que “soluções integradas e adaptadas aos problemas específicos dos produtores no campo” farão certamente a “diferença” na “capacidade de gerar cada vez mais valor” ao setor agroflorestal. Cabe, assim, aos líderes políticos a “definição de políticas e incentivos” à adoção das tecnologias, sustenta o responsável, acreditando que a pandemia da Covid-19 veio “acelerar” adoção em todos os setores, especialmente no “setor agroflorestal”.

Sendo um “setor estratégico” a vários níveis, Tiago Rebelo afirma que os desafios do CEiiA e da Elio Tecnologia são enormes. No entanto, o know-how que ambas integram são motivo de confiança: “Aliamos mais de cinco anos de experiência de campo e conhecimento de negócio com uma referência na área de desenvolvimento de tecnologias e produtos inovadores”.

Cristiana Macedo