“O Estado tem de ser um aliado em todos os fenómenos” ligados à agricultura, afirma Maria do Céu Albuquerque 

“O Estado tem de ser um aliado em todos os fenómenos” ligados à agricultura, afirma Maria do Céu Albuquerque 

A Agricultura é hoje um setor que merece cada vez mais atenção de todos e que, durante o período de confinamento, mostrou ser resiliente. Mas não deixa de ser um setor que está fortemente impactado pelas alterações climáticas: tendência para uma maior escassez hídrica, pelo aumento da frequência e intensidade dos fenómenos meteorológicos extremos ou pelos efeitos do aumento da temperatura.

No âmbito da conferência “Ação Climática – Desafios Estratégicos”, promovida esta segunda-feira pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática, a ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, foi convidada para falar sobre a relação entre a Agricultura e as alterações climáticas. Na visão da responsável, a mudança climática é uma “urgência” atual e os “fenómenos ligados  à digitalização” são as oportunidades que “encontramos”. No entanto, em primeiro lugar, “temos que servir as populações e os territórios”, sublinha, acrescentando que, na Agricultura, “estamos conscientes desta necessidade” entre a “compatibilização” e os “valores da produção”, indo ao “encontro do estabelecimento de metas e objetivos” para fazer face a um “modelo de desenvolvimento económico e social” e que tenha em consideração o “desenvolvimento ambiental”. E,  para tal ser feito, Maria do Céu Albuquerque lembra a necessidade de uma “agenda estratégica” que mobilize todos, começando, desde logo, pelo cidadão: “Temos de ter consciência de que as nossas opções individuais são a base da nossa saúde e bem-estar; que as nossas opções individuais e coletivas são também responsáveis pela valorização dos recursos naturais e proteção do ambiente; e que essas mesmas escolhas são responsáveis pelo desenvolvimento territorial que todos aspiramos”. Assim, a ministra da Agricultura reitera a necessidade de “olhar para os territórios de forma desinteressada”, percebendo que “todos têm que ser inteligentes”, respeitando o que cada um tem de “debilidade”, e aproveitar as “oportunidades” que são “muito diferentes” no país. “Temos que contar com o setor produtivo e com uma cadeia de valor mais competitiva e inovadora”, onde os “processos de produção estejam aliados ao fenómenos da digitalização”, respeitando os “valores naturais” e onde “possamos garantir o rendimento aos agricultores” para que continuem a ser “competitivos” e assim uma “balança comercial” equilibrada.

Dentro da agenda estratégica para os próximos 10 anos, Maria do Céu Albuquerque não tem dúvidas de que “o Estado tem de ser um aliado em todos fenómenos”, criando os “mecanismos” para que a “política pública possa ter eco no setor privado” e, assim, “responder ao que se propõe”. Além disso, cabe também ao Estado “ter os instrumentos, não só de planeamento estratégico e de financiamento” mas também “pedir contas e fazer avaliação” de forma a que se “ajuste essas metas e objetivos” a que o setor se comprometeu.

Relativamente aos objetivos nacionais, a ministra da Agricultura olha para a necessidade de “aumentar a nossa produção” fazendo face ao “aumento demográfico” mas também de “produzir mais com menos” até porque “sabemos que os nossos recursos são escassos”. Embora a pandemia tenha trazido “debilidades sérias” a todos os níveis, a Agricultura mostrou ser um setor “resiliente”, onde dá provas da sua “evolução” e “garantias em continuar a ser um setor que cresce de ponto de vista de exportações” a um ritmo muito diferente de anos anteriores. Para a responsável, o desafio que se coloca passa por “olhar para o território como um todo” e “sem deixar ninguém para trás”, dando relevo à “pequena agricultura nos territórios menos densos”, sendo esse, cada vez mais, “um fator que acrescenta valor ao nosso desenvolvimento económico e social”. Além disso, e dentro da pequena agricultura, são precisos “sistemas mais organizados” e que “vão ao encontro daquilo que são as especificidades de cada território”, de forma a “alavancar as cadeias de valor” ou, até, a “fixação de pessoas”, remata.

Cristiana Macedo