Plataforma Solis quer capacitar potencial fotovoltaico de Lisboa

Plataforma Solis quer capacitar potencial fotovoltaico de Lisboa

Disponibilizar aos cidadãos conhecimento de qualidade sobre energia e apostar num grafismo apelativo e em formatos de fácil apreensão é o grande foco da Solis, a plataforma solar de Lisboa. Lançada oficialmente no dia 21 de junho, surge para dar a conhecer e partilhar informação, capacitar para a decisão e facilitar a ação. A Ambiente Magazine foi ao encontro das representantes da Lisboa E-Nova(Agência de Energia e Ambiente de Lisboa), a entidade responsável pela plataforma.

“É o instrumento central para a operacionalização da estratégia solar de Lisboa, à qual chamamos Lisboa Cidade Solar”, começa por explicar Sara Freitas, gestora do projeto, acrescentando que, tratando-se de um “recurso renovável, endógeno e abundante”, a estratégia pretende alavancar a “adoção da energia solar fotovoltaica (produção de eletricidade a partir da radiação solar) na cidade, para que se atinja a capacidade instalada de 100 MW em 2030”. Por isso, a “Lisboa Cidade Solar” é parte integrante do Plano de Ação Climática Lisboa 2030, tendo um “contributo fundamental” para os objetivos de descarbonização da cidade, refere.

No que diz respeito a objetivos, Maria Rodrigues, diretora técnica, destaca que a Solis pretende, essencialmente, “apoiar o desenvolvimento de um espírito de cidadania baseada na cultura do sol como fonte de energia” e de um “ambiente de qualidade em Lisboa”, assim como de uma “comunidade capaz de compreender, adotar e partilhar os benefícios do fotovoltaico” e, ao mesmo tempo, que “contribua ativamente para o mapeamento das instalações fotovoltaicas na cidade”, aumentando a “base de conhecimento” para a criação de melhores políticas públicas.

Rita Esteves, consultora de educação para a sustentabilidade, destaca as vantagens associadas à plataforma solar, nomeadamente, o facto de permitir aos cidadãos instalar sistemas fotovoltaicos de forma informada: “Só deste modo se garante a qualidade da instalação, a sua longevidade e satisfação do proprietário. A partilha destas experiências leva, pois, a uma difusão da tecnologia pela comunidade e à subsequente adoção por mais pessoas”. Atualmente, a Solis pretende também que se encare a tecnologia fotovoltaica indo além do sistema que pertence só ao individuo, mas antes ao sistema que pertence ao coletivo: “Cada fração residencial e comercial tem gastos de eletricidade muito distintos ao longo do dia; ao juntarem-se diferentes pontos de consumo, é possível aproveitar melhor a produção de eletricidade solar de um sistema maior que pertença a várias pessoas e/ou entidades”. É assim que “uma Lisboa com mais solar fotovoltaico será uma Lisboa energeticamente mais suficiente, capaz de produzir grande parte da eletricidade consumida pelos seus habitantes – uma eletricidade livre de emissões locais e de ruído, contribuindo para uma melhor qualidade do ambiente urbano”, sustenta.  

Na prática, como se desenvolve a Solis?

A Solis é posta em prática através dos vários produtos que a constituem:

  • Website – onde se destacam o Blog com artigos e entrevistas com especialistas, entusiastas e utilizadores de energia solar e os Mapas de potencial solar interativos com zoom à cidade, freguesia e ao edifício;
  • App para smartphone – onde é possível esclarecer dúvidas fundamentais sobre energia solar organizadas por categorias, ler artigos e/ou ouvi-los no podcast, completar quizzes e jogar à “caça” dos sistemas fotovoltaicos. Quanto mais explorar a app, mais pontos o utilizador pode acumular para trocar por prémios;
  • Curta-metragem de animação 3D – a  Gira Solis – que sensibiliza, de forma pedagógica, para o potencial solar de Lisboa;
  • Redes sociais – principais canais de comunicação e disseminação da Solis como um todo, dirigindo os conteúdos da plataforma de acordo com o público alvo de cada rede (LinkedIn, Facebook, Instagram, Twitter, TikTok) para, assim, gerar maior alcance;
  • Atividades presenciais – construindo sobre o historial de ações de ativação e capacitação da Lisboa E-Nova, tais como o Festival Solar de 2018. Outra vertente que a Solis pretende oferecer aos cidadãos, em articulação com outras iniciativas e agentes locais, é a organização de rotas solares (passeios de reconhecimento de sistemas fotovoltaicos na cidade), realização de workshops de literacia solar e sessões de co-criação sobre adoção coletiva de sistemas fotovoltaico.

A quem se destina?

Uma vez que as questões relativas ao ambiente e sustentabilidade dizem respeito a todos, a Solis foca-se em sensibilizar toda a população e agentes económicos. Mas são as “empresas e instituições” da Região de Lisboa e Vale do Tejo, os “decisores locais” (autarquias, urbanistas, arquitetos ou construtoras), o “público residencial”, assim como a “comunidade académica e científica ou as indústrias criativas”, os verdadeiros agentes de mudança para uma maior adoção do fotovoltaico: “É crucial estabelecer diálogo impulsionador de mudança com estes agentes”, afincam as responsáveis.

Iniciativa bandeira da Lisboa E-Nova e da cidade, contínua e evolutiva

Apesar de ser ainda prematuro fazer um balanço desta plataforma, Sara Freitas, Maria Rodrigues e Rita Esteves estão otimistas quanto ao futuro: “Estamos a pouco e pouco a crescer organicamente nos meios digitais e a conseguir chegar ao diálogo com atores relevantes interessados em adotar fotovoltaico e a partilhar a sua visão e experiência, servindo de exemplo para outros que ainda enfrentam barreiras”. Algo que também permite às responsáveis terem confiança e acreditar no sucesso da Solis é o facto de Lisboa ser uma cidade que “foca cada vez mais os objetivos de longo prazo num desenvolvimento sustentável” e que inclui a “energia solar fotovoltaica como peça fundamental” para os atingir: “A Solis vai conseguir fazer a diferença”. Aliás, já existem exemplos demonstradores do sucesso da plataforma solar como  a “campanha lançada em agosto no Instagram sob o hashtag #agostosolarlisboa”, a “divulgação de empresas no LinkedIn que assinaram o Compromisso Verde Lisboa 2030 e que se comprometeram a instalar fotovoltaico” ou a “captação de um estágio voluntariado Solis”.

A Solis não tem um período de duração: “Queremos que seja uma iniciativa bandeira da Lisboa E-Nova e da cidade, contínua e evolutiva”.

Relativamente a desejos, as responsáveis partilham do mesmo:

“O objetivo de alcançar uma capacidade de fotovoltaico instalada de 103 MW até 2030 representa apenas 4% do potencial teórico máximo se todas as coberturas da cidade fossem usadas. O potencial é enorme e está altamente subaproveitado! Desejamos que a Solis não seja “só mais uma plataforma”, mas que alcance realmente efeitos práticos na vida dos lisboetas e que os faça sentir e pertencer, de facto, à sua Lisboa Cidade Solar”.

A Solis é financiada no âmbito do projeto farol europeu “Sharing Cities”, representando os produtos digitais um investimento que rondou os 80 mil euros.

Cristiana Macedo