Portugal está na lista de países mais atrativos do mundo para investimento em energias renováveis

Portugal está na lista de países mais atrativos do mundo para investimento em energias renováveis

Portugal posiciona-se em 23.º lugar na lista dos países mais atrativos para o investimento no setor das energias renováveis, estando à frente de países como a Finlândia e a Turquia. Os Estados Unidos e a China mantêm-se nas primeiras posições, seguidos do Reino Unido e da Alemanha. A conclusão é do mais recente Renewable Energy Country Attractiveness Index (RECAI), ranking semestral elaborado pela consultora EY que classifica os 40 principais mercados do mundo em função das oportunidades de investimento e de desenvolvimento no setor das energias renováveis.

“O mercado ibérico está a recuperar bem depois do choque recebido em setembro de 2021 – através de uma proposta de decreto-lei em Espanha que indicava que os benefícios extraordinários das empresas de energia passavam a ser redirecionados para os consumidores — ter sido alterado em novembro. Os mercados atingiram o pico no início de março, mas ainda são voláteis, sobretudo no caso da energia solar, pelo que os contratos de aquisição de energia (PPA ou Power Purchase Agreement, na língua inglesa) podem trazer estabilidade”, declara Pedro Subtil, líder de Energia e Recursos da EY, acrescentando que “o mercado português de Contratos de Aquisição de Energia (CAE) é muito menor face ao espanhol, mas está em crescimento, com os primeiros negócios já a serem fechados recentemente”.

No geral, de acordo com o 59.º índice de atratividade nacional de energias renováveis da EY (RECAI), a segurança energética subiu para o topo da lista de prioridades dos governos, na sequência da instabilidade geopolítica e da espiral dos preços do gás. Como resultado, “líderes de todo o mundo estão a tentar acelerar e alargar o âmbito dos seus programas de energias renováveis para ajudar a reduzir a dependência da energia importada”, aponta o estudo, citado pela EY num comunicado.

Este RECAI 59 explora a forma como as tecnologias renováveis emergentes e os combustíveis verdes têm potencial para reduzir substancialmente a quota de gás na produção de energia, criando assim um clima de investimento favorável a estas fontes de abastecimento. Na Europa, por exemplo, o aumento da capacidade de importação de gás natural liquefeito (GNL) ganhou impulso, bem como o aumento da produção de gás verde e o desenvolvimento de outros combustíveis alternativos. O relatório nota que, embora a aquisição de gás de outros países para reduzir a dependência do gás russo não possa acontecer de um dia para o outro, é agora evidente que ganhou um impulso significativo, lê-se no mesmo comunicado.

Para Arnaud de Giovanni, Líder da Área de Energias Renováveis da EY Global, “muitas tecnologias de energias renováveis que no passado recente eram consideradas novas e de alto risco demonstraram rapidamente o potencial de se tornarem dominantes e estão, por conseguinte, a atrair interesses de investimento. Estima-se que os preços da energia permaneçam voláteis no futuro próximo e, assim, os líderes do setor têm uma janela de oportunidade sem precedentes para alavancar a inovação tecnológica e explorar o investimento na promoção de um crescimento sustentável e renovável”.

O caso das tecnologias flutuantes

O relatório também explora a oportunidade apresentada pelas tecnologias flutuantes. A energia eólica offshore continua a ter um grande potencial de investimento, com o custo da eletricidade gerada a cair para 70 dólares americanos por MWh, ou menos, até 2030. Além dos onze projetos de energia eólica offshore flutuantes já em funcionamento, mais de cem – com uma capacidade combinada superior a 26,300MW – estão em construção, obtiveram aprovação financeira próxima ou regulamentar, ou estão em fase de planeamento inicial.

A ec também está a atrair mais atenção à medida que o custo dos painéis fotovoltaicos (PV) caiu abrutamente, e a capacidade global cresceu mais de 100 vezes nos cinco anos anteriores a 2021. Até agora, “a maior parte dos projetos “fotovoltaicos” são colocados em corpos de água doce construídos pelo homem, onde o ambiente é relativamente controlado, mas há planos de avançar mais para offshore para explorar os recursos infinitamente maiores do mar aberto”, indica o relatório.

“À medida que os governos procuram afastar-se do gás natural, é dado um impulso adicional às tecnologias das energias renováveis que podem ajudar a diversificar a combinação de energias renováveis. Isto define o tom para um efeito dominó significativo no cenário de investimento, com uma redefinição de prioridades da energia renovável a criar um clima atrativo para o investimento, com quantidades crescentes de capital a investir. O RECAI explora o potencial de crescimento e investimento de alternativas convencionais e inovadoras, incluindo tecnologias flutuantes, hidrogénio e gás verde”, declara Ben Warren, Líder da Área de Finanças Corporativas de Energia e Serviços da EY Global e editor-chefe do RECAI.

Destaques do índice

Embora os Estados Unidos e a China continuem a ser os dois principais mercados com base na atratividade do seu investimento em energias renováveis, existem várias mudanças no ranking do Top 10 com o Reino Unido (3.º) a subir dois lugares, a Alemanha (4.º) a subir três e a Espanha (9.º) e os Países Baixos (10.º), a subir um lugar cada.

Alguns dos mercados destacados nesta edição pelos seus progressos notáveis incluem a Dinamarca (mais 4) – com um novo objetivo de produzir até 6 GW de hidrogénio anualmente até 2030, a Polónia (mais 3) – que lançou concursos para três novas concessões eólicas offshore, a Finlândia (mais 7) – que aprovou a introdução de um modelo de leilão para aluguer de águas públicas para o desenvolvimento de energia eólica offshore, a Áustria (mais 7) – onde o governo se comprometeu a dar 250 milhões de euros (264 milhões de dólares americanos) para apoiar o desenvolvimento de energias renováveis, a Grécia (mais 3) – que procura duplicar a sua capacidade instalada de energias renováveis para cerca de 19 GW até 2030, e a Alemanha (mais 3) – que antecipou em 15 anos a sua meta de 100% de energia verde para 2035.

O ranking completo dos 40 melhores e a análise dos mais recentes desenvolvimentos em matéria de energias renováveis em todo o mundo, pode ser visto aqui.