Um modelo integrado de serviços inteligentes de energia desenvolvido no âmbito do projeto europeu BungEES demonstrou ser capaz de reduzir entre 15% e 30% o consumo energético em edifícios residenciais e de serviços. A iniciativa contou com a participação do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).
O edifício do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC funcionou como um dos principais projetos-piloto, transformando-se num verdadeiro laboratório de inteligência energética. No local foram testadas tecnologias como Internet das Coisas (IoT), automação da climatização, armazenamento de energia em baterias, carregamento inteligente de veículos elétricos e produção solar fotovoltaica.
O objetivo passou por integrar estas soluções num sistema capaz de prestar serviços de flexibilidade à rede elétrica nacional, convertendo edifícios comuns em “centrais elétricas virtuais”. Em paralelo, foram ainda realizados testes em larga escala no setor habitacional da cidade de Coimbra.
De acordo com os dados finais do projeto, implementado também na Alemanha, França, Espanha, Eslováquia e República Checa, a abordagem inteligente permitiu reduções significativas no consumo de energia para aquecimento e arrefecimento.
“O BungEES demonstrou que é possível reduzir as faturas de eletricidade e as emissões de CO₂ sem sacrificar o conforto dos utilizadores”, afirma Nuno Quaresma, coordenador do projeto e investigador do ISR. Em Portugal, acrescenta, a aplicação de algoritmos de automação possibilitou que os consumidores deslocassem o consumo para horários de menor carga, evitando sobrecargas na rede elétrica.
Uma das principais inovações introduzidas pela FCTUC foi a criação de um modelo simplificado de adesão, designado “one-stop-shop”. Em vez de recorrer a múltiplos fornecedores para instalar painéis solares, baterias ou carregadores de veículos elétricos, os consumidores passam a dispor de um único ponto de contacto. No futuro, este modelo poderá permitir que cidadãos sejam remunerados por contribuírem para a estabilidade da rede elétrica.
O projeto enquadra-se nas metas do plano europeu “Fit for 55”, que pretende reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 55% até 2030. Após validação técnica em Coimbra, o modelo está agora preparado para ser replicado noutras cidades europeias, com potencial para atrair investimento privado e acelerar a modernização do parque edificado.
Embora o BungEES tenha formalmente terminado, os investigadores destacam o impacto duradouro da iniciativa. Os pilotos instalados em Coimbra funcionam atualmente como um “laboratório vivo”, permitindo a estudantes e investigadores testar soluções em contexto real nas áreas da IoT, inteligência artificial aplicada à energia e gestão de redes.
Segundo Nuno Quaresma, esta experiência prática representa uma mais-valia significativa na formação de profissionais altamente qualificados nas áreas da energia, tecnologia e sustentabilidade.







































