Vila do Bispo avança com medida de minimização das suas obras ilegais no geossítio do Telheiro

Vila do Bispo avança com medida de minimização das suas obras ilegais no geossítio do Telheiro

Grandes pedras calcárias impedem o acesso à arriba, junto ao geossítio da Praia do Telheiro. Esta é a primeira medida com carácter de urgência que a Câmara Municipal de Vila do Bispo (CMVB) tomou, depois de a isso ter sido obrigada pelas entidades oficiais, de modo a salvaguardar aquele geossítio “de reconhecida importância a nível mundial”.

Esta medida visa impedir a circulação automóvel nos últimos 150 metros correspondentes à arriba quaternária de elevado valor geológico, florístico e paisagístico, cuja formação instável apresenta, também, riscos no que respeita à segurança de pessoas e bens.

Outra das fases de intervenção passa pela implementação de “ações de engenharia natural que permitam a redução da erosão e o restabelecimento do coberto vegetal”, devendo ficar apenas uma faixa para acesso pedonal à praia.

O mesmo comunicado, salienta que, estas medidas de recuperação da vegetação e minimização da erosão estender­-se-­ão, ainda, aos acessos paralelos que foram surgindo ao longo dos anos e que “surgem como feridas na paisagem”.

O Grupo de Defesa do Telheiro, em comunicado, revela que já estão a verificar-se algumas das consequências negativas provocadas pela ação da Câmara de Vila do Bispo, que, em Agosto, abriu ilegalmente um caminho até à beira da falésia, a curta distância do geossítio, alegadamente para facilitar o acesso das carrinhas dos nadadores-salvadores até mais perto da Praia do Telheiro. Assim, salienta aquele grupo, “as recentes chuvas causaram já a escorrência de terras e de pedras da duna consolidada, partidas no final de Agosto pela autarquia”. Sendo o Geossítio da Praia do Telheiro uma área de “elevado valor natural”, com a acumulação de quase todos os estatutos de proteção nacionais e internacionais, “é urgente avançar-­se com a medida de renaturalização, prevenindo danos futuros”, defendem.

Entretanto, o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) propõe-­se a acompanhar a intervenção disponibilizando meios humanos e apresentando soluções técnicas.

Também no passado dia 21 de Outubro, em reunião com o presidente de câmara, o arquiteto Nicolau da Costa, membro do grupo de Defesa do Telheiro, apresentou um conjunto de soluções técnicas para o problema causado pela obra.

Após solicitação de esclarecimentos por parte da Inspeção­-geral dos Ministérios do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia e da Agricultura e do Mar (IGAMAOT), o ICNF considerou que as obras “colocaram em risco a salvaguarda dos valores naturais e que a elevada erosão que ali ocorre foi potenciada pelas intervenções efetuadas”.

Neste âmbito, a IGAMAOT decretou à CMVB que, na necessidade de garantir a salvaguarda dos valores em presença, proceder-se-á com urgência à delimitação da área de estacionamento, de forma a impedir o acesso de viaturas ao troço de caminho que termina no topo da falésia e que intervém em toda a área de declives acentuados, no sentido de se minimizar os efeitos erosivos agravados pelas chuvas.

Continua a ser investigada pela IGAMAOT a falta de pedido de pareceres às entidades competentes, por parte da CMVB, bem como alguns dos pontos de pareceres emitidos pelo ICNF.

A Praia do Telheiro está classificada como Praia tipo IV, que corresponde a “uma praia associada a sistemas de elevada sensibilidade ou que apresentam limitações para o uso balnear nomeadamente por razões de segurança dos utentes”.

A intervenção agora levada a cabo foi conseguida após vários ofícos enviados à CMVB, por parte do ICNF e do IGAMAOT, a partir de 17 de Setembro.