Hidrogénio poder ser a solução para descarbonizar setores de transportes

Hidrogénio poder ser a solução para descarbonizar setores de transportes

Categoria Advisor, Empresas

Na segunda parte da conferência “O Hidrogénio nas Nossas Sociedades – Estabelecer pontes”, realizada esta quarta-feira, dia 7 de abril, em formato online a partir do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, foram discutidos os temas do financiamento e dos polos industriais. No último painel, “Hidrogénio nos setores da descarbonizarão da economia“, a discussão centrou-se no papel do hidrogénio na descarbonização daqueles setores que são mais difíceis de reduzir as emissões.

Para começar o debate, Glenn Llewellyn, vice-presidente da Airbus para a área “Zero Emission Aircraft”, sublinhou que, antes de se avançar no investimento de “milhares de milhões de euros” no desenvolvimento de aeronaves, é vital que haja “confiança suficiente de que vamos ter hidrogénio disponível” a um “custo justo e suportável” nos aeroportos: “Estamos a trabalhar nesse contexto! Durante esta década temos de trabalhar para que nos aeroportos haja cada vez mais hidrogénio disponível”, reitera.  Já no que diz respeito à cadeia de fornecimento e ao impacto da Covid-19, Glenn Llewellyn afirmou que o anúncio de comunicar a “aeronave de zero emissões” acabou por ser adiada para mais tarde: “O que nos permitiu continuar foi o apoio recebido de diferentes países e nações para voltarmos à construção verde “, declara.

Justamente para falar sobre os desafios que o hidrogénio traz à escala global, João de Melo, CEO da Bondalti começou por evidenciar a competitividade dos preços: “Todos os países estão a competir, implementando a sua estratégia do hidrogénio”. A isto, acrescem os “incentivos”, refere, sublinhando que, tratando-se de uma “tecnologia que ainda está na sua fase inicial” são precisos “incentivos ligados à capacidade real de desenvolver essas tecnologias, de forma que elas possam penetrar no mercado o mais rapidamente possível”. Além disso, atenta João de Melo, “a indústria está também muito mais avançada do que os incentivos políticos: está a desenvolver vários projetos envolvendo grande investimentos sem qualquer incentivo”. Assim, “incentivos atempados que sejam implementados e disponibilizados rapidamente” são essenciais, defende. A globalização também pode ser um desafio: “Todos queremos descarbonizar e, portanto, há grandes investimentos que vão ter de ser realizados e, no final, vamos estar a competir com outras regiões globais”, refere.

Em matérias de recursos humanos e necessidade de desenvolver novas competências, Patrícia Vasconcelos, CEO da Caetano Bus, constatou ser um desafio que precisa de ser combatido através da formação e das parcerias: “É uma nova tecnologia e temos que trabalhar com universidades e outros parceiros”. Ao nível interno, a Caetano Bus já está a promover “formação aos colaboradores”, declara, reconhecendo que se trata de uma questão que terá de ter uma maior abrangência, onde os governos também terão que ser chamados.

Quando se fala em transição energética, Philippe Merino, vice-presidente do Cluster SWE da Air Liquide, constata que o caminho para outros tipos de energia e economia de escala está aberto: “Se tivermos esta mentalidade, os consumidores vão estar mais interligados e, em termos de concorrência e competitividade ao nível da mobilidade, quanto maiores forem os volumes para a indústria, mais iremos beneficiar destas economias de escala”. Assim, “todos os intervenientes devem colaborar para que tidos possam beneficiar e desenvolver a um rimo acelerado todas as tecnologias necessárias”, defende.

Por fim, William Todts, diretor executivo do grupo ativista Transport & Environment, sublinhou a importância da regulamentação nos setores da aviação e navios: “Trabalha-se nestas soluções inovadoras mas só depois da regulamentação é que há o forçar da situação. Precisamos desta pressão”. Segundo o responsável, muitas indústrias precisam de ser “pressionadas” para mudar a forma como atuam. Depois, ainda existe a questão do fim do motor de combustão: “Em 2035, voar com combustíveis fósseis vai deixar de ser possível”, afinca. E, por isso, defende William Todts, é essencial “colocar (esta realidade) na mente das pessoas que estão à frente destes projetos das aeronaves”.

A conferência “O Hidrogénio nas Nossas Sociedades – Estabelecer pontes” foi promovida pela Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia.

Cristiana Macedo