Hilbea quer ter um propósito agregado no que à moda sustentável diz respeito

Hilbea quer ter um propósito agregado no que à moda sustentável diz respeito

A Economia Circular está, hoje, subjacente em muitas empresas. Produtos sustentáveis, amigos do ambiente e com um ciclo de vida longo são, cada vez mais, uma opção. Há também quem ponha em prática estes conceitos e desenvolva os seus próprios produtos. Com o objetivo de dar “voz” a projetos de cariz sustentável, a Ambiente Magazine dá a conhecer mais uma iniciativa: desta vez, é o projeto “Hilbea”.

A ideia de criação da marca Hilbea surgiu em plena pandemia, no final de 2020, tendo a sua primeira coleção sido apresentada em julho de 2021: “Surgiu quando, em contacto com a natureza numa das minhas caminhadas, me decidi a criar um projeto na área da moda, que sempre me fascinou, mas com um propósito agregado com valor para o ambiente”, explica Marta Teixeira, fundadora da Hilbea.

Apesar de ser um projeto ligado à moda, a Hilbea tem um propósito que assenta na consciência ambiental, “uma vez que a felicidade passa pela confiança e pela satisfação mental com aquilo que se veste, devendo, no meu entendimento, haver uma ligação com a proteção do ambiente”. Desta forma, os objetivos essenciais deste projeto consistem na “utilização de tecidos orgânicos e sustentáveis”, privilegiando “técnicas de produção livres de químicos, que consumam menos água e que ajudem a produzir menos resíduos”, sendo que “as caixas utilizadas para o transporte e entrega das peças são feitas em cartão reciclado”, explica.

Acresce que, a fábrica com quem trabalham é detentora dos certificados “SMETA, OEKO-TEX e GOTS”, que “apuram e avaliam” as condições éticas de trabalho, bem como as práticas ambientais: “A Hilbea pretende sensibilizar todos os cidadãos para a necessidade de se vestirem bem, mas com preocupações ambientais, devendo habituar-se a selecionar os produtos cujas marcas se preocupam com a proteção do ambiente”.

No entender de Marta Teixeira, a grande vantagem do projeto é, efetivamente, “contribuir para a proteção de todos os componentes ambientais”, levando os jovens e as gerações mais velhas a “alterar os padrões de consumo”, adquirindo “produtos de qualidade e duráveis”, em substituição de “produtos descartáveis” que conseguem “preços mais competitivos”, mas com elevados impactes negativos no ambiente: “A minha geração e as gerações vindouras devem assumir um papel determinante para a proteção do ambiente, o que implica uma alteração profunda na forma como consumimos”.

Apesar de ainda ser recente para fazer qualquer balanço, a fundadora da Hilbea está otimista quanto ao futuro: “Quero estar na vanguarda da moda que se preocupa em proteger o ambiente, pelo que aguardo com elevada expectativa a adesão a esta nova filosofia de vestir, pois o ambiente precisa da ajuda urgente de todos nós”, deseja Marta Teixeira, sublinhando ser “absolutamente imprescindível que todos se empenhem na proteção do nosso planeta”.

Sobre as temáticas da economia circular e da moda sustentável, a responsável acredita que os jovens portugueses estão atentos, dando como exemplo os novos projetos que têm surgido no país e que estão relacionados com a “reutilização de bens da moda” e com a utilização de materiais sustentáveis, como é o caso da HILBEA: “Parece-me que Portugal está no bom caminho e ao lado de outros países, nomeadamente os nórdicos, que se preocupam com esta temática, mas é preciso alterar comportamentos de consumo e isso requer um esforço ímpar de todos”. Um dos bloqueios que, no entender de Marta Teixeira, ainda existe em Portugal é a “falta divulgação e informação” a nível nacional e internacional daquilo que se faz nesta área, bem como a “valorização das marcas portuguesas que já existem”. No que respeita ao papel dos líderes políticos, a responsável da Hilbea defende que é essencial o envolvimento da força governamental, no sentido em que “podem ajudar a promover e impulsionar o consumo de marcas sustentáveis”, nomeadamente através de “incentivos fiscais” à produção e à comercialização: “Se Portugal quer ser vanguardista na área da nova moda com preocupações ambientais, numa altura em que os eixos fundamentais da economia são a transição ambiental e digital, os líderes políticos têm uma boa oportunidade para criar condições para que os empreendedores, como a Hilbea, possam ajudar a proteger o ambiente”.

Quais as perspetivas para o futuro sobre estas matérias?

“A HILBEA confia que as novas gerações terão um papel fundamental para se alcançar uma alteração dos hábitos do consumo, passando a exigir-se produtos de moda que respeitem o ambiente, atuando-se e privilegiando-se um consumo de acordo com o princípio da prevenção e não com o da reparação ou correção”.

Cristiana Macedo