Projeto de cidadania procura propostas para construir um Portugal mais sustentável

Projeto de cidadania procura propostas para construir um Portugal mais sustentável

Portugal Agora” é um projeto de cidadania que, desde 2014, pretende promover uma visão para o país assente em quatro dimensões – Portugal Atrativo, Portugal do Conhecimento, Portugal Empreendedor e Portugal Resiliente -, com o intuito de facilitar a passagem da estratégia à ação, gerando propostas concretas para políticas públicas ou iniciativas da sociedade civil. A iniciativa foi formada por um grupo de cidadãos – mais de 400 subscritores – que se disponibilizaram a promover uma plataforma.

À Ambiente Magazine, Carlos Sezões, coordenador do “Portugal Agora”, refere que na dimensão “Portugal Resiliência” o eixo central assenta na Sustentabilidade Ambiental, onde procuram “propostas para construir um Portugal mais sustentável”, com base numa “economia mais circular” e na “eficiência energética”, assegurando a “mitigação das alterações climáticas” e, ao mesmo tempo, “respondendo às externalidades negativas que temos colocado nos nossos ecossistemas”.

O coordenador refere que até à data o “Portugal Agora” tem tido uma dinâmica bastante positiva: “Já apresentámos conclusões e propostas concretas em 2015 e apresentámos mais no livro que lançámos em 2017”. Recentemente, apresentaram, também, a “Agenda 2019-23”. Neste momento, de modo mais concreto, Carlos Sezões afirma que estão a “elaborar agendas temáticas”, já lançadas em 2018 sobre “inovação social e formação ao longo da vida”, e, em 2019 sobre a “marca Portugal”. Segundo responsável, o projeto, enquanto plataforma online, tem “assumido a sua diferenciação tecnológica” ao “receber contributos de qualquer português”, em qualquer lado do mundo.

Para o futuro são várias as ações que estão previstas. O coordenador começa, desde logo, por destacar o ciclo de web-conferences “Portugal Resiliente” sobre “sustentabilidade ambiental” que está prestes a terminar. Outra ação, passa por “consolidar o trabalho do Conselho Disruptivo” que consiste em “alargar a rede”, procurando “mais propostas criativas”, para “futuro lançamento do livro Portugal Out-of-the-Box”, refere. Também, “consolidar o projeto Link to Portugal”, procurando “propostas para a plataforma”, com base em “boas ideias e práticas existentes no país de acolhimento”, que possam ser replicadas em Portugal, afirma. E, por fim, “preparar duas agendas temáticas para o próximo ano” centradas na “Logística e Mobilidade e Cultura”.

Avanços na capacitação de clusters da economia nacional

Relativamente à temática sustentabilidade ambiental, Carlos Sezões não tem dúvidas de que Portugal, ao longo dos últimos anos, tem efetuado um “trabalho meritório” na “descarbonização da economia” e na “transição energética”, conferindo “maior escala” às “fontes solar e eólica” e “favorecendo a eletricidade” em “detrimento dos combustíveis fósseis”. Na designada economia circular, o coordenador do “Portugal Agora” refere que o país tem, também, avançado na “capacitação de clusters da economia nacional” para abandonar a “lógica linear” (extração de recursos, fabrico de produtos, consumo, produção e deposição de resíduos), com “maior eficiência e redesign de processos produtivos, novos produtos, modelos de negócio inovadores e uma lógica de reaproveitamento e circularidade de recursos”, Mesmo assim, Carlos Sezões diz que, “há muito a fazer”, tendo em comparação o exemplo dos “países do norte da  Europa” que são “referências nestas áreas”. E a Portugal falta “visão estratégica” e “debates nacionais” para consensos a dez anos: “Os líderes políticos continuam a focar-se no curto prazo”, sustenta. 

Tendo conta o contexto atual marcado pela pandemia da Covid-19, o responsável acredita que, tal situação veio permitir “acelerar a transformação digital”, como por exemplo, áreas como smart-cities e smart-homes, com base nas tecnologias IoT e 5G e, também, “pugnar” para uma “melhor eficiência na gestão de energia e recursos”. E o novo paradigma de “trabalho remoto” vai, igualmente, contribuir para uma “menor pegada de carbono” na mobilidade urbana, refere.

O futuro será aquilo que os líderes atuais construírem

Algo parece ser imprescindível para Carlos Sezões é que o Plano de Recuperação de Portugal faça, acima de tudo, “ligação das estratégias às acções e ao impacto”, algo no qual Portugal tem falhado: “Que seja um plano “desdobrado” pelas intervenções da sociedade civil, não apenas dependente da intervenção do estado central”.

E o futuro? O coordenador do “Portugal Agora” precisa que o futuro será, exatamente, aquilo que os “líderes atuais” construírem: “Se nos focarmos em transformar a realidade, teremos um mundo bem mais sustentável em 5 a 10 anos”.

Cristiana Macedo