SPEA alerta para os perigos de implementação precipitada de energias renováveis marinhas

SPEA alerta para os perigos de implementação precipitada de energias renováveis marinhas

Categoria Águas, Ambiente, Energia

Na semana que antecede a realização da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, em Lisboa, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) declara a sua posição desfavorável à instalação de energias renováveis marinhas em Áreas Marinhas Protegidas e alerta para os perigos de uma implementação precipitada destas estruturas no mar.

A geração e distribuição de energia proveniente de fontes renováveis, é vista como um caminho viável para o combate às alterações climáticas, mas pode ter “consequências prejudiciais para a biodiversidade” se for localizada em áreas importantes para a vida selvagem, alerta a SPEA.

A União Europeia, estabeleceu metas para a redução da emissão de gases com efeito de estufa em 42% nos próximos oito anos e um aumento da quota de energia renovável para 32% do consumo final de energia até 2030. Sendo, simultaneamente, a neutralidade carbónica um objetivo europeu até 2050, é de prever que a expansão das renováveis se dirija cada vez mais para o ambiente marinho, através da instalação de infraestruturas de rede no mar para transportar a energia produzida para terra.

“A transição energética e o combate às alterações climáticas são urgentes, mas é fundamental que essa urgência não leve a maiores danos ambientais, pois, a par da crise climática, enfrentamos uma crise da biodiversidade”, atenta Joana Andrade, coordenadora do Departamento de Conservação Marinha da SPEA.

“Uma seleção e gestão cuidadosas dos locais de exploração de energia pode contribuir para reduzir os riscos climáticos para a natureza e para as pessoas, com riscos limitados para a conservação”, defende a ONG, acrescentando que “a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias que reduzam impactos e maximizem a eficiência energética devem ser incentivadas e apoiadas”.

A SPEA sugere ainda a cooperação entre os proponentes de projetos de energia renovável no mar, autoridades nacionais, investigadores e Organizações Não-Governamentais de Ambiente (ONGA), em processos concertados que prevejam avaliações sobre a sensibilidade e impactos ambientais, ordenamento do espaço marítimo, a pesquisa e a monitorização de forma independente, rigorosa e contínua.