A WWF Portugal lançou o projeto Ecobites, uma iniciativa que pretende aumentar a oferta de proteína de origem vegetal nos supermercados e acelerar a transição para dietas mais sustentáveis em Portugal.
Apresentado em Lisboa, o projeto vai trabalhar diretamente com o setor do retalho alimentar, incentivando as empresas a reforçarem a presença de alimentos de origem vegetal nas suas prateleiras. A organização ambiental defende que os supermercados têm um papel decisivo na mudança dos padrões alimentares, uma vez que a disponibilidade, o preço e a forma como os produtos são comunicados influenciam as escolhas dos consumidores.
Segundo Tiago Luís, técnico de Alimentação da WWF Portugal, o retalho pode ser determinante num país onde o consumo de produtos de origem animal continua a ter um peso significativo: “o Ecobites representa um avanço fundamental no alinhamento do retalho português com tendências internacionais e com as necessidades emergentes da saúde pública e da ação climática”.
O projeto baseia-se na Metodologia dos Retalhistas da WWF, uma ferramenta internacional que permite às empresas medir e comparar as vendas de produtos de origem animal e vegetal, ajudando a reequilibrar a oferta. O objetivo é que os retalhistas passem a recolher dados consistentes e adotem estratégias que promovam opções alimentares com menor impacto ambiental.
Para dar início à iniciativa, a WWF promoveu o primeiro de três workshops técnicos dirigidos a empresas do setor. As sessões visam sensibilizar para a chamada “transição proteica” e capacitar os participantes para a recolha e análise de dados.
Brent Loken, Global Food Lead Scientist da WWF, sublinha que, apesar de alguns retalhistas já terem compromissos de sustentabilidade, poucos utilizam metodologias estruturadas para alinhar a sua oferta com metas de saúde e ambiente. O Ecobites pretende, segundo o responsável, apoiar essa mudança.
Também Pedro Graça, nutricionista e diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, considera que Portugal tem uma oportunidade de reforçar a ligação entre alimentação saudável e sustentável, conciliando os princípios da Dieta Mediterrânica com os da chamada Dieta Planetária.
De acordo com a WWF, a forma como os alimentos são produzidos e consumidos está entre as principais ameaças à natureza. A organização aponta que grande parte da desflorestação, da perda de biodiversidade e das emissões de gases com efeito de estufa está associada ao sistema alimentar. Por isso, defende que transformar o setor é essencial para proteger a natureza e promover o bem-estar das populações.









































